Sunday, February 13, 2011

Amantes e Ratos

O medo vai ter tudo,

Pernas, ambulâncias e o luxo blindado de alguns automóveis. Vai ter olhos onde ninguém o veja, mãozinhas cautelosas, enredos quase inocentes, ouvidos não só nas paredes mas também no chão, no tecto, no murmúrio dos esgotos e talvez até (cautela!), ouvidos nos teus ouvidos.
O medo vai ter tudo,
Fantasmas na ópera, sessões contínuas de espiritismo, milagres, cortejos. frases corajosas, meninas exemplares, seguras casas de penhor, maliciosas casas de passe, conferências várias, congressos muitos, óptimos empregos, poemas originais e poemas como este.
Projectos altamente porcos, heróis (o medo vai ter heróis!), costureiras reais e irreais, operários (assim assim), escriturários (muitos), intelectuais (o que se sabe), a tua voz talvez, talvez a minha, com a certeza a deles. Vai ter capitais, países, suspeitas como toda a gente, muitíssimos amigos, beijos, namorados esverdeados, amantes silenciosos, ardentes e angustiados.
Ah o medo vai ter tudo, tudo (Penso no que o medo vai ter e tenho medo que é justamente o que o medo quer).
O medo vai ter tudo, quase tudo e cada um por seu caminho havemos todos de chegar, quase todos, a ratos.
Alexandre O'Neill

Sunday, January 16, 2011

Círculos Dantescos

Volúpia

No divino impudor da mocidade,
Nesse êxtase pagão que vence a sorte,
Num frémito vibrante de ansiedade,
Dou-te o meu corpo prometido à morte!

A sombra entre a mentira e a verdade...
A núvem que arrastou o vento norte...
...Meu corpo! Trago nele um vinho forte:
Meus beijos de volúpia e de maldade!


Trago dálias vermelhas no regaço...
São os dedos do sol quando te abraço,
Cravados no teu peito como lanças!
E do meu corpo os leves arabescos
Vão-te envolvendo em círculos dantescos
Felinamente, em voluptuosas danças...


Florbela Espanca


"A Foto Que Inspirou o Poema..." de Filipe Almeida

Agradeço-lhe estas palavras que me ofereceu hoje e o seu gesto atencioso. É bom criarmos e renascermos, a cada instante. Saber despir trapos velhos para nos cobrirmos com novos, é rara sabedoria. Obrigada Filipe.














"Para alguém que admiro mesmo sem conhecer pessoalmente.São estas coisas que dão sabor à Vida! Aconteceu e seguramente haverá explicação que desconheço: dei com a foto anexa que as mãos transformaram neste poema. (E vou fazer dela letra de uma música) ". (Filipe Almeida.)


Onde vai dar

Há uma luz que amanhece
Vai ficando por aqui
Enquanto o dia aparece
No lugar onde nasci
Eis um homem que procura
O porquê de ser assim
A razão desta aventura
Que parece não ter fim


Ando à procura de um sentido
Tenho esta vontade para voar
Como um pássaro ferido
Só quero continuar
O caminho percorrido
Que não sei onde vai dar
Ninguem sabe onde começa

O lugar onde nasceu
A nao ser que reconheça
Um sinal do que era seu
Olho para a minha rua
Que vai dar onde eu quiser
Há um cheiro que flutua
Um aroma de mulher


Ando à procura de um sentido
Tenho esta vontade para voar
Como um pássaro ferido
Só quero continuar
O caminho percorrido
Que não sei onde vai dar


Filipe Almeida
 

Thursday, January 06, 2011

Albrecht Dürer

Enjoo de Albrecht Dürer
Fotografia 2009/10
By, Namora Caeiro

Wednesday, January 05, 2011

We are the Others.

Accept the truth of each other and allow each other to accept your truth.
We are the others.
CaLua

Friday, December 31, 2010

Próprias Mãos

Tropeçamos nas próprias mãos, levantamos os pés do chão, sublimamos e matamos, a fantasia é uma psicopata, a realidade, ainda assim, é sempre mais fantástica.
CaLua

Monday, December 27, 2010

Uma Espiã.

"Ela tinha de voltar a delinear o rosto, alisar as sobrancelhas ansiosas, separar as pestanas unidas, apagar os traços de secretas lágrimas interiores, acentuar a boca como numa tela, para que ela conservasse o seu sorriso exuberante. O caos interior (...) esperava por detrás de toda a desordem por uma fenda por onde explodir."
Anais Nin

...uma espiã na casa do amor

Tuesday, December 07, 2010

Tropeços

Tropeçei de Frase em frase e encontrei trilhos de margens soltas de linhas e fiz um caminho.
E este Caminho não é uma Auto-estrada... mas é uma estrada fantástica, cheia de curvas e contra-curvas, subidas e descidas, paragens e arranques. E em cada curva, uma surpresa, um lobo mau, uma fada, uma borboleta amarela, um leopardo negro, um companheiro...
Pior do que não terminar o caminho é nunca partir e dar o passo. A Vida não é a simples respiração contínua mas são os momentos capazes de nos tirar o fôlego.


Não quero viver de fantasias e sim de realidades fantásticas.

Mais importante do que encher a minha mala de dinheiro ou matéria é levar dentro dela os meus olhos e a curiosidade suficiente para saber ver. A forma como caminhamos ensina-nos que existem “Estações” de felicidades e que a “Felicidade” não é uma “Estação” estanque.
Caminhando, se faz o Caminho. A Tua Vida é o Caminho, não o contrário.
Vamos caminhar e Ser quem somos... sem mais nada.
Por recantos e cantinhos que conheço e desconheço, há tanto tempo, ver-me assim, a caminhar, percebo que um “Pequeno Tropeço Pode Impedir Uma Grande Queda”, e caminho.
Se não levo dentro de mim a beleza do Mundo, nunca a encontrarei por mais que caminhe, e por isso é necessário parar de sonhar e, de algum modo, partir. A pobreza não tem bagagem, tem a riqueza da mente humana que a natureza nos deu, porque a Vida é o caminho e não o contrário. Uma coisa é pensar que estou no caminho certo, outra é saber que o Meu caminho é Único.

CaLua

Thursday, December 02, 2010

O Corvo

Numa meia-noite agreste, quando eu lia, lento e triste, Vagos, curiosos tomos de ciências ancestrais,
E já quase adormecia, ouvi o que parecia. O som de alguém que batia levemente a meus umbrais
«Uma visita», eu me disse, «está batendo a meus umbrais.
É só isso e nada mais.»
Ah, que bem disso me lembro! Era no frio dezembro, E o fogo, morrendo negro, urdia sombras desiguais. Como eu qu'ria a madrugada, toda a noite aos livros dada. P'ra esquecer (em vão) a amada, hoje entre hostes celestiais — Essa cujo nome sabem as hostes celestiais, Mas sem nome aqui jamais!
Como, a tremer frio e frouxo, cada reposteiro roxo
Me incutia, urdia estranhos terrores nunca antes tais!
Mas, a mim mesmo infundindo força, eu ia repetindo, «É uma visita pedindo entrada aqui em meus umbrais;
Uma visita tardia pede entrada em meus umbrais.
É só isso e nada mais».
E, mais forte num instante, já nem tardo ou hesitante, «Senhor», eu disse, «ou senhora, decerto me desculpais; Mas eu ia adormecendo, quando viestes batendo, Tão levemente batendo, batendo por meus umbrais, Que mal ouvi...» E abri largos, franquendo-os, meus umbrais.
Noite, noite e nada mais.
A treva enorme fitando, fiquei perdido receando,
Dúbio e tais sonhos sonhando que os ninguém sonhou iguais.
Mas a noite era infinita, a paz profunda e maldita,
E a única palavra dita foi um nome cheio de ais — Eu o disse, o nome dela, e o eco disse aos meus ais.
Isto só e nada mais.
Para dentro estão volvendo, toda a alma em mim ardendo, Não tardou que ouvisse novo som batendo mais e mais. «Por certo», disse eu, «aquela bulha é na minha janela. Vamos ver o que está nela, e o que são estes sinais.» Meu coração se distraía pesquisando estes sinais.
«É o vento, e nada mais.»
Abri então a vidraça, e eis que, com muita negaça, Entrou grave e nobre um corvo dos bons tempos ancestrais. Não fez nenhum cumprimento, não parou nem um momento, Mas com ar solene e lento pousou sobre meus umbrais, Num alvo busto de Atena que há por sobre meus umbrais.
Foi, pousou, e nada mais.
E esta ave estranha e escura fez sorrir minha amargura. Com o solene decoro de seus ares rituais.
«Tens o aspecto tosquiado», disse eu, «mas de nobre e ousado, Ó velho corvo emigrado lá das trevas infernais! Dize-me qual o teu nome lá nas trevas infernais.»
Disse-me o corvo, «Nunca mais».
Pasmei de ouvir este raro pássaro falar tão claro, Inda que pouco sentido tivessem palavras tais. Mas deve ser concedido que ninguém terá havido. Que uma ave tenha tido pousada nos seus umbrais, Ave ou bicho sobre o busto que há por sobre seus umbrais,
Com o nome «Nunca mais».
Mas o corvo, sobre o busto, nada mais dissera, augusto, Que essa frase, qual se nela a alma lhe ficasse em ais. Nem mais voz nem movimento fez, e eu, em meu pensamento Perdido, murmurei lento, «Amigo, sonhos — mortais. Todos — todos lá se foram. Amanhã também te vais».
Disse o corvo, «Nunca mais».
A alma súbito movida por frase tão bem cabida, «Por certo», disse eu, «são estas vozes usuais.
Aprendeu-as de algum dono, que a desgraça e o abandono. Seguiram até que o entono da alma se quebrou em ais, E o bordão de desesp'rança de seu canto cheio de ais
Era este «Nunca mais».
Mas, fazendo inda a ave escura sorrir a minha amargura, Sentei-me defronte dela, do alvo busto e meus umbrais; E, enterrado na cadeira, pensei de muita maneira Que qu'ria esta ave agoureira dos maus tempos ancestrais, Esta ave negra e agoureira dos maus tempos ancestrais,
Com aquele «Nunca mais».
Comigo isto discorrendo, mas nem sílaba dizendo À ave que na minha alma cravava os olhos fatais,
Isto e mais ia cismando, a cabeça reclinando
No veludo onde a luz punha vagas sombras desiguais, Naquele veludo onde ela, entre as sombras desiguais,
Reclinar-se-á nunca mais!
Fez-me então o ar mais denso, como cheio dum incenso. Que anjos dessem, cujos leves passos soam musicais. «Maldito!», a mim disse, «deu-te Deus, por anjos concedeu-te
O esquecimento; valeu-te. Toma-o, esquece, com teus ais, O nome da que não esqueces, e que faz esses teus ais!»
Disse o corvo, «Nunca mais».
«Profeta», disse eu, «profeta — ou demónio ou ave preta! Pelo Deus ante quem ambos somos fracos e mortais, Dize a esta alma entristecida se no Éden de outra vida
Verá essa hoje perdida entre hostes celestiais, Essa cujo nome sabem as hostes celestiais!»
Disse o corvo, «Nunca mais».
«Que esse grito nos aparte, ave ou diabo!, eu disse. «Parte! Torna à noite e à tempestade! Torna às trevas infernais! Não deixes pena que ateste a mentira que disseste!
Minha solidão me reste! Tira-te de meus umbrais!»
Disse o corvo, «Nunca mais».
E o corvo, na noite infinda, está ainda, está ainda. No alvo busto de Atena que há por sobre os meus umbrais. Seu olhar tem a medonha dor de um demónio que sonha, E a luz lança-lhe a tristonha sombra no chão mais e mais, E a minh'alma dessa sombra, que no chão há mais e mais,

Libertar-se-á... nunca mais!

Fernando Pessoa(1888-1935)
"O Corvo", poema de Edgar Allan Poe traduzido por Fernando Pessoa

Wednesday, December 01, 2010

Decompor a Sensação...

Toda a arte se baseia na sensibilidade, e essencialmente na sensibilidade.
A sensibilidade é pessoal e intransmissível.
Para se transmitir a outrem o que sentimos, e é isso que na arte buscamos fazer, temos que decompor a sensação, rejeitan...do nela o que é puramente pessoal, aproveitando nela o que, sem deixar de ser individual, é todavia susceptível de generalidade, portanto, compreensível, não direi já pela inteligência, mas ao menos pela sensibilidade dos outros.


Este trabalho intelectual tem dois tempos: a) a intelectualização directa e instintiva da sensibilidade, pela qual ela se converte em transmissível (é isto que vulgarmente se chama "inspiração", quer dizer, o encontrar por instinto as frases e os ritmos que reduzam a sensação à frase intelectual (prim. versão: tirem da sensação o que não pode ser sensível aos outros e ao mesmo tempo, para compensar, reforçam o que lhes pode ser sensível); b) a reflexão crítica sobre essa intelectualização, que sujeita o produto artístico elaborado pela "inspiração" a um processo inteiramente objectivo — construção, ou ordem lógica, ou simplesmente conceito de escola ou corrente.


Não há arte intelectual, a não ser, é claro, a arte de raciocinar. Simplesmente, do trabalho de intelectualização, em cuja operação consiste a obra de arte como coisa, não só pensada, mas feita, resultam dois tipos de artista: a) o inspirado ou espontâneo, em quem o reflexo crítico é fraco ou nulo, o que não quer dizer nada quanto ao valor da obra; b) o reflexivo e crítico, que elabora, por necessidade orgânica, o já elaborado.


Dir-lhe-ei, e estou certo que concordará comigo, que nada há mais raro neste mundo que um artista espontâneo — isto é, um homem que intelectualiza a sua sensibilidade só o bastante para ela ser aceitável pela sensibilidade alheia; que não critica o que faz, que não submete o que faz a um conceito exterior de escola ou de moda, ou de "maneira", não de ser, mas de "dever ser".


Fernando Pessoa, in 'Carta a Miguel Torga, 1930'

Wednesday, November 10, 2010

Conhecer o Caminho é diferente de percorrer o Caminho





Sunday, October 24, 2010




















Calua,
painted in oil.


Saturday, October 23, 2010

Cria a Tua Própria Realidade

Sintetizo emoções... umas atrás das outras...
Sinto, de momento, que um turbilhão passa por mim num deserto estacionado e não sei o que irá levar nem o que vai deixar...

Caiem barreiras, pilares e torres de mim... pedras e pedras fazem barulho de desapego e no chão partem-se em pedaços e estilhaçam... e volto a olhar pelo muro que agora tem janelas... e já não é um muro.. e algumas emoções iluminam agora, esta casa... minha.
Mas vejo também que a cada dia, essas emoções também elas, comportam um azul triste, um amarelo radiante, um cinzento nebuloso, um rosa contagiante, e que entram pela minha casa e dão cor a uma de outra hora...
Se tanto rejubilo de alegria também  sucumbo de medo...
Hoje percebi que deito a Alma pela boca...exorcizo fantasmas e demónios, anjos e humanoides... se é que estas expressões explicam o que aqui temos dentro desta nossa "casa", e que a melhor forma de saber que são mesmo nossos e não de quem se cruza no nosso deserto de encruzilhadas... é enfrentarmo-nos, de uma vez!
Assim dispo as roupagens e afasto as que ia vestir ... novamente e novamente.
Cria a tua própria realidade, Agora, com o que és, e depois de mergulhares neste novo Mar, cria aquilo que queres para ti, naquele que era o deserto.

CaLua

Thursday, October 14, 2010

Jardim de Borboletas!

Quando depositamos muita confiança ou expectativas em alguém, o risco de nos decepcionarmos é grande.
O Bonito é saber ler quem temos à frente como quando olhamos para um espelho, simplesmente... olhar com tudo!
As pessoas não estão neste mundo para satisfazer as nossas expectativas, assim como não estamos aqui, para satisfazer as delas.
Temos que nos bastar... nos bastar sempre e quando procuramos estar com alguém, temos que ter consciência de que estamos juntos porque gostamos, porque queremos e nos sentimos bem, nunca por precisar de alguém.
As pessoas não se precisam, elas se completam... não por serem metades, mas por serem inteiras, dispostas a dividir objetivos comuns, alegrias e vida.
Com o tempo, vou percebendo que para ser feliz com a outra pessoa, preciso em primeiro lugar, não precisar dela, não precisar, no sentido da co-dependência e não num sentido romântico do termo.
Aprender a gostar de mim própria é uma necessidade, uma obrigação, um dever e uma luta... cuidar de mim, e principalmente aprender gostar de quem gosta realmente de mim. Quando digo aprender, não digo forçar, digo reaprender a amar... ou descobrir esse amor...
O segredo é não cuidar das borboletas e sim cuidar do jardim para que elas venham para perto de mim.
No final de tudo isto, irei perceber, como começo agora a vislumbrar, não quem eu estava à procura, mas quem estava à  procura de mim!
CaLua

Tuesday, September 21, 2010

Só Quem Se Ama!

Viver uma verdadeira experiência amorosa é um dos maiores prazeres da vida. Gostar é sentir com a alma, mas expressar os sentimentos depende das idéias de cada um. Condicionamos o amor às nossas necessidades neuróticas e acabamos com ele. Vivemos uma vida tentando fazer com que os outros se responsabilizem pelas nossas necessidades enquanto nós nos abandonamos irresponsavelmente.


Queremos ser amados e não nos amamos, queremos ser compreendidos e não nos compreendemos, queremos o apoio dos outros e damos o nosso a eles.
Quando nos abandonamos, queremos achar alguém que venha a preencher o buraco que nós cavamos. A insatisfação, o vazio interior se transformam na busca contínua de novos relacionamentos, cujos resultados frustrantes se repetirão.


Cada um é o único responsável pelas suas próprias necessidades.


Só quem se ama pode encontrar em sua vida Um Amor de Verdade.

CaLua

Thursday, September 09, 2010

O Espaço com o Tempo

Existem espaços sem tempo
Tempos sem espaço
Espaços com tempos e tempos com espaços
Espaços vazios
Tempos completos
Espaço para nada
Tempo para tudo
Existem tempos com tempo
Espaços com espaços
Tempos sem espaços e espaços sem tempos
Tempos vazios
Espaços completos
Tempo para nada
Espaço para tudo.

Calua.

Tuesday, August 10, 2010

O Caminho Mais Directo

Considerando que a acção tinha sido ensinada previamente como a expressão de um "estado emocional" previamente estabelecido, é agora a acção quem predomina e é a chave para determinar o psicológico. No lugar de serem as emoções a conduzir a ação, Stanislavski passou a acreditar que era o contrário que ocorria: a ação propositadamente representada para chegar aos objetivos do personagem era o caminho mais direto para as emoções.

 Stanislavski - O Método

Tuesday, July 27, 2010

Vícios Anónimos

Estou aqui hoje, porque a minha vizinha, em vez de me deixar na escola, deixou-me aqui e pediu-me que falasse convosco… deve perceber que ninguém fala comigo…

Deve existir alguém, sentado numa grande poltrona a comandar isto tudo!
... mas eu não posso parar ... e não me drogo!

Cátia
(personagem)




O Grito Mudo De Cada Gesto Que Encontras Aqui
Também Tu Já O Experimentaste Um Dia, De Uma Forma, Ou de Outra, De Um Lado, Ou De Outro Do Muro.
São Anónimos, São Vícios Mas Não São Só Meus...
São nossos...



Trailer "Vícios Anónimos" - http://www.youtube.com/watch?v=GGRHV6P8bOY

Tuesday, July 20, 2010

O Céu da nossa Vida

(...) talvez que nunca antes a arte tenha sido compreendida tão profundamente e com tanta alma como no tempo actual, em que a magia da morte parece brincar em seu redor. (...) O que existe de melhor em nós resulta talvez do sentimento de épocas anteriores, que mal podemos agora atingir directamente; o sol já se pôs, perdemo-lo de vista, mas ilumina e inflama ainda o céu da nossa vida.

F. Nietzsche
Humano Demasiado Humano
Um Livro Para os Espíritos Livres

Monday, July 12, 2010

Encher Ar Saturado

...Mas a vida é mesmo uma "meretriz" que se vende aos caprichos mais cruéis...faz-nos sofrer sempre no momento em que a Paz parece querer chegar...!
Se há algo que aprendi sobre o "vazio" é que quanto mais o lamentamos mais o alimentamos.
Dá-lhe a volta, mas com convicção e depressa!
Brinca com ele quando te fizer infeliz, faz-lhe cócegas quando te estiver a fazer chorar; rabisca-o, arranca-o de ti, corrige-o sem arrependimentos, questiona-o até à exaustão; até o entenderes na sua essência mais básica, porque quando isso acontecer já não existe mais.
Nunca caias é no erro de tentar preencher um vazio: um vazio nunca se preenche, tentar isso é encher ar saturado com ar rarafeito; ou se acaba com ele e desaparece de vez ou ele torna-se eterno em nós e no que somos.
O que já existiu e não existe mais não se substitui, aprende-se a viver com a perda custe o que custar; tentar substituir o que nos deixou um vazio é uma injustiça para o que existiu e sentimos antes em nós. Preencher um vazio é dar-lhe uma importância que não merece...
Isto não é um conselho, é um pedido de mim para ti, por ti.
Tenta com todas as forças porque tu consegues e mereces!
MM